Para que o mundo seja do jeito que a gente quer, a mudança começa conosco, nos pensamentos, ações e sentimentos. Não adianta o ser humano ser bom, se ele tiver pensamentos negativos em relação a si e/ou ao próximo, ou reações tão negativas diante do negativo que reverte pra si o de pior. É necessário que sejamos uno em todas as nossas atitudes mentais, físicas, espirituais, pensar/agir/sentir da mesma forma, superando as diferenças e reagindo ao desconhecido sem pré-conceito, e colocando em prática a lei do amor. Quando conseguirmos juntar essas energias todas e nos tornarmos uno com o universo, teremos aprendido o que Jesus nos ensina, o que a vida nos testa, o que Deus quer de nós. Comunhão. textinho da Chris

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

O SEGREDO PARA SE RELACIONAR COM PESSOAS DIFÍCEIS




Edson José de Oliveira
(Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas)
No âmbito das relações humanas, que também é conceituada como a Ciência do Comportamento, é perceptível a existência de pessoas com diferentes níveis de personalidades, umas mais calmas outras mais agressivas, umas mais pessimistas outras mais otimistas, enfim, seres humanos que fazem parte de um contexto social de formação de caráter e valores intrínsecos pertinentes a cada um.
Este projeto consistiu num estudo de pessoas que são consideradas difíceis no desenrolar dos relacionamentos. O objetivo foi mostrar as possibilidades de se estabelecer um convívio pacifico e harmônico mesmo com indivíduos problemáticos. Para isso buscou-se conhecer o perfil dessas pessoas e a partir daí identificar meios de compreender as diferenças individuais. Através de pesquisas bibliográficas procurou-se apontar possíveis caminhos para melhorar o entendimento entre pessoas, contextualizandoo comportamento do indivíduo, suas características e peculiaridades. Foram apresentadas dicas de como o indivíduo pode conhecer suas próprias atitudes e comportamentos bem como as dos outros. Falou-se também sobre a arte de comunicar-se com clareza e sobre o segredo de influenciar pessoas, levando sempre em consideração que cada um tem seu jeito, seu estilo e seu momento.
No decorrer deste trabalho foi possível identificar como este tema vem sendo explorado por diversos autores que demonstram técnicas na forma de lidar com pessoas de temperamento forte. Muitos deles mostram que não há um caminho pronto a ser seguido, mas sim muitas coisas a serem aprendidas sobre as pessoas difíceis, e que para viver bem com elas, é preciso conhecê-las. A escolha do tema teve como premissa básica a importância do assunto em diversas esferas da vida humana, desde os momentos com a família até as relações no ambiente profissional.
Não é surpresa pra ninguém o surgimento de problemas entre pessoas, de diferenças de atitudes e condutas. O homem é consciente de suas características individuais e de suas necessidades diferenciadas, portanto, é capaz de entender que existem pessoas difíceis de conviver em qualquer ambiente. Verificou-se no decorrer do trabalho as possibilidades de minimizar o impacto desses encontros negativos e se ambas as partes estão preparadas para enfrentar as lacunas deixadas por relações complicadas de modo inteligente e eficaz ao ponto de resolver os impasses e se estabelecer à harmonia dos embates entre pessoas.
Pretende-se com este artigo, desenvolver um estudo que possa contribuir de forma significativa com todas as pessoas interessadas em entender os indivíduos problemáticos, seus padrões e comportamentos e planejar estratégias para transformar situações difíceis em oportunidades de sucesso. Este material serve também como guia de orientação e entendimento de nossas próprias atitudes em relação aos outros, de como devemos nos conhecer antes de prosseguirmos na arte das relações humanas. Que essa viagem seja repleta de descobertas e crescimento em todos os campos de sua vida.
2 RELAÇÕES HUMANAS COM PESSOAS DIFÍCEIS
Desde a infância o ser humano envolve-se num processo de socialização que resulta na formação do seu caráter que a priori é constituído por valores circulantes na sociedade. O resultado dessas múltiplas interações do homem com os diferentes contextos em que ele faz parte (Estado, a sociedade, os grupos sociais, a comunidade, a família, as relações interpessoais) resulta na formação de sua personalidade[1]. Diante dessas perspectivas é importante compreender que o homem é um ser social não apenas porque depende de outros para viver, mas porque é frágil de mais para permanecer sozinho, além disso, é inteligente perceber que as pessoas no decorrer de suas ações sofrem influências externas que aos poucos podem modelar sua forma de agir e pensar. O resultado da interação entre as pessoas e o meio em que está inserida pode vir a desenha a maneira de como conviver com próprio "eu" e com aquilo que se faz.
Ao adentrar-se no campo das relações é importante compreender o papel da Psicologia na vida das pessoas. Para Agostinho Minicucci (2006) Psicologia é a ciência que estuda o comportamento[2] humano. Contextualizando essas idéias encontram-se as Relações Humanas[3]. É no desenrolar dessas relações que surgem também as pessoas difíceis, como por exemplo, aquele sabe - tudo, ou ainda aquele sugador de energia, ou o intrometido que quer dar palpite em sua vida. E agora, como lidar com elas sem estragar o seu dia?
Neste projeto foi trabalhado o entrosamento de vários autores que possibilitam o entendimento de estratégias para se lidar com estas situações.
Nas tabelas que se seguem é possível visualizar os tipos de pessoas difíceis, bem como os elementos que constituem o comportamento de cada indivíduo. As formas de lidar com essas determinadas pessoas serão percebidas no decorrer do trabalho.
Autor Pessoa difícil Comportamento
O pessimista. Tudo que ele diz detona medo e depressão. Diverte-se muito ao ver sua vítima (você) sentindo-se mal.
O Sugador de Energia. Pessoas desse tipo são como vampiros, que roubam toda sua energia pessoal. Sempre dizem coisas negativas e desanimadoras. Adoram fofocar e fazem o que podem para atrair você para uma conversa baixo-astral.
O Critico. O critico é alguém que aponta defeitos em tudo e em todos, mas nunca enxerga suas próprias falhas.
O juiz. Uma pessoa taxativa que sempre faz questão de julgar os outros e impor sua opinião com a última palavra sobre qualquer assunto.
Murray Oxman O "vitima" A atitude dessa pessoa pode ser reconhecida com facilidade – ele vive se lamentando e suspirando pelos cantos. Tudo nele diz: "Por favor, tenha dó de mim".
O melindroso Essa pessoa é aquela que faz tudo para ajudar os outros, com a intenção de "acumular créditos".
O intimidador A principal ferramenta utilizada pelo intimidador é o medo. Por isso, ele tem o hábito de analisar todas as nossas reações e utilizá-las contra nós.
O introspectivo Essa é uma pessoa exageradamente tímida e comunicar-se com ela é praticamente impossível. Ele é tão voltado pra si mesmo que não consegue pensar no que está a sua volta.
O "Fábrica de Desculpas" Sempre encontra uma justificativa furada para todas as vezes que comete um erro ou não desempenha uma tarefa para o qual foi designado.
O desagradável Ela adora chocar os outros com grosserias, tudo para estar em evidência. Quer se sentir especial, ser notado, e a única maneira que encontra para isso é usar sua agressividade com as pessoas.
Tabela 1- Tipos de pessoas difíceis na visão do Psicólogo Murray Oxman
Fonte: Guia rápido para lidar com Pessoas Difíceis.
Diante desses tipos de pessoas difíceis apresentados, quais seriam as soluções mais viáveis para manter o equilíbrio das relações? Jamil Albuquerque (2007) diz que "Existir é Relacionar-se", desse modo, não há como eximir-se do relacionamento entre as pessoas. Seja nas atividades diárias, com a família ou no trabalho é sempre útil saber como lidar com pessoas difíceis e viver da melhor maneira possível.
A seguir, serão apresentadas dicas de como compreender essas individualidades e manter o equilíbrio das relações. Por meio da harmonização dos relacionamentos pode-se afirmar e desenvolver a própria personalidade e permitir que, ao mesmo tempo, os outros também façam o mesmo.
2.1 CONHECENDO NOSSO PROPRIO "EU"
Antes de prosseguir na arte de relacionar-se com os outros é primordial o conhecimento interior, sobre limites, vontades, caráter e principalmente a disponibilidade em querer estabelecer relações pacíficas. Alan Houel e Christian Godefroy (2008) mencionam que é útil conhecer às quatros principais forças que se combinam para determinar a personalidade humana: 1. Necessidades emocionais (ligadas ao carinho, afeto, amor); 2. Necessidades econômicas (situação em que a pessoa sente a falta de alguma coisa - um bem ou um serviço- correspondendo, simultaneamente, a certo mal-estar e a um desejo); 3. Seus modelos (aquilo que se imita ou que se segue); 4. Seus valores (formados pela educação, ambiente, trabalho, viagens, crenças religiosas, etc.).
Convicto de sua personalidade é importante destacar que para ter um diálogo sensato com uma pessoa difícil, é necessário saber como se afirmar e também conhecer seus pontos fracos para proteger-se. Stephen Covey (2007) menciona que é precisa começar "De dentro pra fora", significa começar consigo mesmo, ou ainda melhor, começar pelo mais íntimo – seus paradigmas[4], seu caráter e seus motivos.
Se o objetivo é tornar-se vitorioso no encontro com pessoas difíceis, o indivíduo deve se aceitar como é. A primeira condição para o sucesso das relações é parar de se pôr em condição de inferioridade. Se permitir que o manipulem emocionalmente não conseguirá atingir a vitória quando confrontar-se com pessoas difíceis. Então, um dos caminhos é procurar não se irritar, aprender a dizer não quando necessário, de forma educada, gentil, mas com firmeza, não tenha medo da rejeição e seja sincero, faça o outro perceber que você quer entendê-lo e ajudá-lo.
Quando há um conhecimento amplo tanto do próprio "eu" quanto da personalidade do outro as relações tornam-se mais eficazes. Alan Houel e Christian Godefroy (2008) relatam que no decorrer das relações humanas é necessário está protegido contra ferimentos que podem surgir e um dos passos para alcançar tal proeza é desenvolver a força interior. As pessoas difíceis podem tentar intimidar o outro com seus atos e ações, ou até mesmo, ferir se houver o ataque físico, portanto, é necessário manter-se frio, não reagir, será pouco provável que alguém o agrida fisicamente se você não fizer nada pra provocar isso. Uma dica valiosa é não se envolver em discussões que irão deixá-lo vulnerável e exposto ao acometimento, se numa relação você perceber que não irá atingir certo nível intelectual sobre o problema em questão o melhor a fazer é se reservar, pesquisar melhor e retomar depois com maior confiabilidade e segurança. Mantenha-se calmo durante o diálogo, permaneça nem muito insensível nem muito vulnerável. Quanto maior a compreensão dos limites individuais de cada um, quanto mais sólida e positiva for à imagem que se tem do próprio "eu", menos problemas emocionais a pessoa terá. Se a auto – imagem for defeituosa ou frágil, o ser humano tornar-se muito mais vulnerável a ofensa.
Agostinho Minicucci (2006) relata que se as pessoas descobrem como agem e tentam descobrir maneiras para compensar tais comportamentos, isso as ajudará a agir com mais eficiência no relacionamento interpessoal (com os outros) e na compreensão intrapessoal (com o próprio "eu"). Com o desvendar do segredo interior as pessoas passam a entender com maior eficácia [5] os outros e percebem com mais nitidez as barreiras e defesas que limitam os relacionamentos.
2.2 COMPREENDER AS PESSOAS
Em termos de relacionamento um dos elementos mais importante é a arte de compreender as pessoas. Quando não há esse entendimento não se pode influenciar, colaborar ou resolver problemas com elas. Stephen Covey (2007) afirma que temos uma tendência forte de atropelar os sentimentos dos outros, de correr para resolver as coisas através de conselhos. Mas com freqüência, pode-se deixar de reservar algum tempo para o diagnóstico, para tentar entender verdadeira e profundamente o problema.
Nota-se que na arte de lidar com pessoas difíceis um dos segredos é primeiro compreender os anseios, as dificuldades dos indivíduos. A partir do momento em que se trabalha a capacidade de ouvir com empatia amplia-se um leque de possibilidades que podem levar ao entendimento sobre determinada personalidade.
Praticando a escuta empática[6] é possível conhecer melhor as pessoas, seus comportamentos, oferecendo a elas a oportunidade de exporem seus pensamentos, sentimentos e ações nos relacionamentos com seus semelhantes.
Melvin Siberman (2001) apresenta três meios para se compreender melhor as pessoas: 1. Escuta e Observação – deve está claro que o modo mais direto de compreender as pessoas é realmente escutar suas idéias e sentimentos, atentar para sua linguagem corporal, pois os gestos, às vezes valem mais que ações ou palavras. Nesse âmbito, prestar atenção também significa não interromper a outra pessoa. Deixe que a pessoa difícil termine de falar, deixe que ela exponha seus problemas, depois faça uma pausa para refletir e organizar estratégias para um melhor entendimento entre as partes. Demonstre interesse pelo que o indivíduo está falando; 2. Esclarecer o significado – o nível mais profundo do entendimento diz respeito a reconhecer a importância do que a outra pessoa diz. Compreender o significado por trás das palavras. Quando quiser entender profundamente alguém faça perguntas de final aberto em que o falante possa expandir ou elaborar sua mensagem, elas oferecem mais espaço para responder e compartilhar. Reaja à emoção, se evitar reconhecer os sentimentos do outro está sacrificando um aspecto crucial da compreensão e da conexão que podem manter; 3. Interpretando o comportamento - quando precisar lidar com indivíduos cujas necessidades, costumes e bagagens de vida são significativamente diferentes das suas, as coisas podem ficar confusas. Algumas habilidades essências como determinar seus estilos pessoais e reconhecer as diferenças, podem ajudar a interpretar o comportamento humano.
Cada indivíduo tem suas crenças, seu jeito, sua maneira de pensar e agir, quando o modo de preferências individuais de uma pessoa difícil é compreendido, será mais fácil e eficiente a comunicação com ela. John Gottman (2003) relata que muitas discussões surgem de mal – entendidos e sentimentos de separação que poderiam ter sido evitados, se as pessoas tivessem os diálogos necessários para tanto. Mas como elas não fazem isso, elas discutem. Portanto, compreendendo o gênero, a cultura e a personalidade das pessoas difíceis, torna-se mais fácil a percepção do que as afligem tanto. Quando o hábito do saber ouvir é desenvolvido e quando se percebe a riqueza da diversidade, o ser humano se tornamai sábio.
Na tabela a seguir serão apresentados mais perfis difíceis, agora sobre o olhar de Dr. Rick Brinkman e Dr. Rick Kirschner (2006):
Autor Pessoa difícil Comportamento
O tipo "tanque de guerra". Agressivo e rude, escandaloso e poderoso. A pessoa que faz esse tipo acredita que os fins justificam os meios. Se você ficar em seu caminho, será eliminado.
O tipo "atirador de elite". Trabalha de forma dissimulada. Certamente guarda algum ressentimento de você. Em vez de sair esbravejando, ele prefere se vingar por meio da sabotagem, fofocas e comentários depreciativos.
O "tipo granada" Seus acessos de raiva e de fúria são desproporcionais às circunstâncias, levando todo mundo a se esquivar em busca de proteção mesmo sem entender o que está acontecendo.
O "sabe-tudo" É aquela pessoa que pensa conhecer tudo sobre tudo. Não importa o eu você diga, a resposta dele é sempre: " Já sei, já sei".
Dr. Rick Brinkman e Dr. Rick Kirschner O tipo "ele – pensa – que - sabe-tudo" Embora não saibam tanto assim, essas pessoas não deixam que isso as atrapalhe. Se você não conhece muito a respeito do que elas estão falando, podem induzi-lo ao erro ou mesmo atrapalhar a realização de um projeto.
A pessoa "sim" Rápida em concordar, mas lenta em agir, a pessoa que só diz "sim" deixa um rastro de desculpas e promessas não cumpridas.
A pessoa "talvez" Quando se depara com uma decisão importante, o tipo "talvez" não consegue tomar nenhuma decisão até que seja tarde demais.
A pessoa "nada" Você não sabe o que se passa na cabeça desse tipo de pessoa ela é "invisível" – não dá nenhum feedback, verbal ou corporal.
A pessoa "não" Apático e desencorajador, o tipo que só fala "não" leva os outros ao desespero.
O "reclamador" Esse tipo mergulha de cabeça nos problemas, reclama incessantemente e arrasta todo mundo para baixo com o peso de suas generalizações. Para ele tudo está errado e será sempre assim, a não ser que você faça algo.
Tabela 2 – Tipos de pessoas difíceis na visão de Dr. Rick Brinkman e Dr. Rick Kirschner.
Fonte: Livro - Aprendendo a lidar com pessoas difíceis.
Para manter o equilíbrio das relações humanas é importante reduzir as diferenças, tentar conhecer o outro, estabelecer afinidades com a pessoa difícil, procurar entender as entrelinhas do problema e buscar lá no fundo, no íntimo de cada um a origem de tal comportamento. Agindo desse modo, ficará mais fácil redirecionar a trajetória da conversa para um resultado mais produtivo. Ao enfrentar pessoas difíceis, seja ela do tipo "sabe- tudo", ou "atirador de elite" é fundamental permanecer calmo, ouvir com atenção, ser positivo e empático. Talvez estejam sentindo raiva delas mesmas e não de você. Pense nas palavras que vai usar e mantenha o equilíbrio das emoções. Se não entendeu tudo faça perguntas em tom não ameaçador. Lembre-se de buscar sempre o melhor de cada um. Tente identificar os elementos que impulsionam o indivíduo problemático, desse modo, terá alcançado uma compreensão mais profunda de suas necessidades e intenções. Crie sinergia valorizando as diferenças e respeitando-as, invista nos pontos fortes das pessoas e tente compensar as fraquezas. Jonh Gottman (2003) explica que as pessoas que não conseguem se relacionar também apresentam maior probabilidade de se sentir isoladas, insatisfeitas e instáveis na vida profissional. Qualquer uma dessas dificuldades pode criar um tremendo estresse na vida das pessoas, dando origem aos mais diversos tipos de problemas de saúde física e mental. Por isso, independente de qualquer ambiente em que os relacionamentos aconteçam é essencial entender as peculiaridades dos outros e ter a capacidade de compreender cada um segundo seus princípios e valores.
2.3 A ARTE DA COMUNICAÇÃO EFICAZ/ EXPRESSAR-SE CLARAMENTE.
Uma das grandes ferramentas existente no trato com pessoas difíceis é a comunicação. Quando você se expressa, é importante que a faça de forma a produzir resultados positivos. Os sinais, símbolos e gestos que constituem nossa mensagem fornecem subsídios para o melhoramento das relações complexas. Segundo Jamil Albuquerque (2007) a grande maioria das distorções nos relacionamentos, os negócios mal feitos, os prejuízos, os grandes desentendimentos, os dramas, as separações, as dores que duram anos, a violência e mesmo as guerras são frutos de uma má comunicação.
É interessante entender o que os outros falam e isso se dá através do conhecimento adquirido com leituras anteriores que auxiliam na compreensão da outra pessoa. A comunicação deve adequar-se com as circunstâncias de cada nova situação. O ser humano convive com pessoas de várias culturas e realidades distintas, então, o comportamento que se aplica para algumas pessoas e situações não se aplica as outras pessoas e circunstâncias, por isso a importância de saber se comunicar com eficiência e entender o contexto do outro. É comum existir divergências entre falas, o bom comunicador sabe como lidar com essas oportunidades e entende que opiniões diferentes, valores opostos e conflitos de desejos são coisas normais. O indivíduo com a capacidade de se comunicar aguçada tem mais sucesso nas relações com pessoas problemáticas.
Ao comunicar-se com indivíduos de temperamento forte, é importante monitorar o tom de voz, apresente a intenção principal, explique porque está expondo algo antes de realmente dizê-lo, esse é um modo simples de direcionar a atenção para o que deseja, se for necessário interrompa-o, mas faça isso com cautela, de forma delicada e seja flexível, faça um esforço para entender as objeções dos indivíduos difíceis. Mel Silberman (2001) apresenta três modos de se tornar um bom comunicador: 1. Transmitir sua mensagem de forma concisa, honesta e expressiva (pensa antes de falar); 2. Ir diretamente ao ponto, diga o que pensa e sente, sem rodeios (assuma o que você diz e deixe o ouvinte a vontade); 3. Inclua o ouvinte, permitindo-lhe fazer perguntas e esclarecer o que disseram (fale a língua da outra pessoa e permita que os outros também expressem suas idéias). Dentro da melhoria da emissão e recepção da mensagem, o aspecto do feedback[7] deve ser levado em consideração. Ao buscar essa técnica, os horizontes se expandem, valendo-se inteligentemente de outras pessoas como fonte de informações em vez de confiar apenas nos seus próprios conceitos.
As pessoas difíceis estão mais propensas a compartilhar seu feedback se forem convencidas de que serão ouvidas com sinceridade. O feedback deve ser pensado como um processo contínuo, em vez de algo que acontece uma só vez. Mil Silberman (2001) acrescenta que sem feedback, é preciso sempre imaginar o que a outra pessoa está pensando a seu respeito. Essa habilidade quando verdadeiramente aplicada nos processos de relacionamentos com pessoas difíceis, possibilita um maior universo de informações disponíveis sobre o comportamento humano. À medida que se tem uma troca de opinião, que um passa a entender os problemas do outro os relacionamentos tornam-se espontâneos, abertos e mais amigáveis.
Na tabela três, Christiane Osborne (2007) apresenta os seguintes perfis de pessoas difíceis:
Autor Pessoa difícil Comportamento
O Derrotista Não se entusiasma, suspira, encolhe os ombros, mas nunca dirá que algo está errado.
O encostado Em casa ou no trabalho, livra-se das tarefas, especialmente das piores, e as deseja para os outros.
Christiane Osborne O espertinho Não tem escrúpulos. Na esfera profissional assume o crédito pelo trabalho dos outros para subir na carreira.
O Queixoso Vive se queixando até de coisas pequenas; é impossível agradá-lo.
O mandachuva Sempre que ter a primeira a última palavra e estar um passo à frente de todo mundo.
O trator Amedronta e intimida os outros; abre seu caminho pela agressão.
Tabela 3 – Pessoas difíceis na visão de Christiane Osborne
Fonte: Livro - Como lidar com pessoas difíceis: seu guia de estratégia pessoal.
Independente do perfil da pessoa difícil é conveniente ser positivo, não se deixe levar pelo queixoso, pelo encostado ou por qualquer outro aspecto. Ser positivo significa ser firme com os fatos e flexíveis com as pessoas; é dizer diretamente o que se quer, precisa ou sente; é ser honesto consigo mesmo e com os demais e reconhecer que as pessoas, mesmo as mais complexas, têm o direito de expressar suas sugestões.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALBUQUERQUE, Jamil. A arte de lidar com pessoas. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.
BRINKMAN, Rick; KIRSCHNER, Rick. Aprendendo a lidar com pessoas difíceis. 2. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.
COVEY, Stephen. Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes. 30. ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2007.
GOTTMAN, John. Relacionamentos: 5 passos para uma vida emocional mais feliz na família, no trabalho e no amor. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003.
HOUEL, Alan; GODEFROY, Christian. Como lidar com pessoas difíceis: guia prático para melhorar seus relacionamentos. 8 ed. São Paulo: Madras, 2008.
KANAANE, Roberto. Comportamento Humano nas organizações: o homem rumo ao século XXI. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
MINICUCCI, Agostinho. Relações Humanas: psicologia das relações interpessoais. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
OSBORNE, Christina. Como lidar com pessoas difíceis. São Paulo: PubliFolha, 2007.
OXMAN, Murray. Guia rápido para lidar com pessoas difíceis: reconheça os 20 tipos de pessoas- problema. 2. ed. São Paulo: Editora Gente, 2008.
ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.
SILBERMAN, Melvin L. Desvendar Pessoas: como desenvolver e melhorar seus relacionamentos. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2001.


[1] Para Stephen P. Robbins, em seu livro Comportamento Organizacional (2005) Personalidade é definida como a soma total das maneiras como uma pessoa reage e interage com as demais. Ela é mais frequentemente descrita em termos dos traços mensuráveis exibidas pelo individuo.
[2] Segundo Roberto Kanaane, em seu livro Comportamento Humano nas Organizações (2008) Comportamento pode ser definido como as reações dos indivíduos e as respostas que estes apresentam a um dado estímulo, sendo determinado pelo conjunto de características ambientais (adquiridas) e hereditárias (genéticas), com a absorção das pressões exercidas pelo meio ambiente.
[3] Agostinho Minicucci, em seu livro Relações Humanas – Psicologia das Relações Interpessoais (2006) conceitua Relações Humanas como sendo a ciência do Comportamento Humano e que pode ser entendida como comunicação interpessoal (relacionamentos entre pessoas) e intrapessoal (relacionar-se consigo mesmo – chamadas comunicações interiores, diálogo interior).
[4] Para Stephen Covey em seu livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes (2007) paradigma é uma palavra que vem do grego. Na origem, era um termo científico, mas hoje é usada comumente para definir modelo, teoria, percepção, pressuposto ou padrão de referência. Em um sentido mais geral, é a maneira de como "vemos" o mundo – não no sentido visual, mas sim em termos de percepção, compreensão e interpretação.
[5] Para Stephen Covey em seu livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes (2007) Eficácia é definida como resultante de duas coisas: o produto e o meio de produção, ou a capacidade de produzir. A eficácia consiste no equilíbrio – no que chamo de Equilíbrio P/CP. P representa a Produção dos resultados desejados e CP indica a Capacidade de Produção, a habilidade.
[6] Segundo Stephen Covey (2007) quando se fala em escuta empática, refere-se à escuta com a finalidade de compreender. Ou seja, primeiro compreender, realmente compreender. A essência da escuta empática não está em concordar com alguém, mas sim em compreender aquela pessoa profundamente, tanto no plano emocional quanto espiritual. Na escuta empática você escuta com os ouvidos, mas também, e mais importante, ouve com os olhos e coração.
[7] Para Agostinho Minicucci (2006) descreve feedback da seguinte maneira: feedback é uma palavra inglesa, traduzida por realimentação, que significa "verificar o próprio desempenho e corrigi-lo se necessário".Isto é, estou verificando meu desempenho por meio da comunicação com outras pessoas e, dentro do possível, modificando-o.
Ao usar este artigo, mantenha os links e faça referência ao autor:
O segredo para se relacionar com pessoas difíceis publicado 11/01/2010 por Edson José em http://www.webartigos.com

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domingo, fevereiro 06, 2011

ATITUDES QUE DRENAM ENERGIAS



 

(Desconheço o autor)
1. Pensamentos obsessivos - Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos - mal comum ao homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos. Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas.

2. Sentimentos tóxicos - Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpa também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos.

3. Maus hábitos, falta de cuidado com o corpo - Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética.

4. Fugir do presente - As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: “bons tempos aqueles!”, costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no passado. Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente. E é apenas no presente que podemos construir nossas vidas.

5. Falta de perdão - Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e si mesmo, fica ”energeticamente obeso”, carregando fardos passados.

6. Mentira pessoal - Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço.

7. Viver a vida do outro - Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, é a frustração.

8. Bagunça e projetos inacabados - A bagunça afeta muito as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos, além de fazer uma faxina no que está sujo. À medida em que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as tarefas é outro “escape” de energia. Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, ele lhe “diz” inconscientemente: “você não me terminou! Você não me terminou!” Isso gasta uma energia tremenda. Ou você a termina ou livre-se dela e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do auto-conhecimento, da disciplina e da terminação farão com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu tempo e energia.

9. Afastamento da natureza - A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais.

recebi do grupo [tratamento à distância]
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sábado, fevereiro 05, 2011

OFEREÇA A OUTRA FACE



 Quando falou que se alguém nos batesse numa face, deveríamos oferecer a outra, expressou um grandioso ensinamento que, se levado em conta, teríamos a solução para todas as situações desagradáveis que surgissem em nossa vida.

Oferecer a outra face não quer dizer dar o rosto para bater. É uma metáfora que sugere que se a situação nos chega de forma desagradável, devemos mostrar a face oposta.

Dar a outra face é mudar a paisagem, é uma ação positiva diante de uma negativa.

Assim, quando todos atiram pedras, ofereça uma flor.

Quando todos caminham para o lado errado, mostre o passo certo.

Se tudo estiver escuro, se nada puder ser visto, acenda você uma luz, ilumine as trevas com uma pequena lâmpada.

Quando todos estiverem chorando, dê o primeiro sorriso; não com lábios sorridentes, mas com um coração que compreenda, com braços que confortem.

Quando ninguém souber coisa alguma, e você souber um pouquinho, ensine, começando por aprender, corrigindo-se a si mesmo.

Quando alguém estiver angustiado, mostre-lhe a face do conforto.

Se encontrar alguém em desespero, acene com a esperança, mesmo que isso seja um desafio para você mesmo.

Quando a terra dos corações estiver seca, que sua mão possa regá-las.

Quando a flor do afeto estiver sufocada pelos espinhos da incompreensão, que sua mão saiba arrancar a praga, afagar a pétala, acariciar a flor.

Onde haja portas fechadas para o entendimento, leve a chave da concórdia e da compreensão.

Onde o vento sopra, frio, enregelando corações, que o calor de sua alma seja proteção e abrigo.

Se alguém caminha sem rumo, mostre-lhe as pegadas que conduzem a um porto seguro.

Onde a crítica azeda for o assunto principal, ofereça uma palavra de otimismo, um raio de esperança, uma luz que rompe as trevas e clareia o ambiente mental.

Quando todos parecerem perdidos, mostre o caminho de volta.

Quando a face da solidão se mostrar como única alternativa na vida de alguém, seja uma presença que conforta, ainda que uma presença silenciosa.

Onde o manto escuro da morte se apresenta como um beco sem saída, fale da vida exuberante que aguarda os seres que fazem a passagem pela porta estreita do túmulo.

Seja você a oferecer a face sorridente e otimista da vida, onde a tristeza e o pessimismo marcam presença.
 
 
Redação do Momento Espírita
 
recebi de Neuza Dutra [tratamento à distância] 
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ou seja: evite ficar com raiva, evite incitar ódio
evite magoar-se, evite absorver a energia negativa do outro,
quem está com problema é ele e não você
 
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sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Os treze princípios de Benjamin Franklin



Os treze princípios de Benjamin Franklin eram
(Autobiografia de Benjamin Franklin): (tais como escreveu e na ordem que lhes deu)
  1. Temperança – Não coma até o embotamento; não beba até a exaltação.
  1. Silêncio – Não fale sem proveito para os outros ou para si mesmo; evite a conversação fútil.
  1. Ordem- Tenha um lugar para cada coisa; que cada parte do trabalho tenha seu tempo certo.
  1. Resolução – Resolva executar aquilo que deve; execute sem falta o que resolve.
  1. Frugalidade – Não faça despesa sem proveito para os outros ou para si mesmo; ou seja, nada desperdice.
  1. Diligência – Não perca tempo; esteja sempre ocupado em algo útil; dispense toda atividade desnecessária.
  1. Sinceridade – Não use de artifícios enganosos; pense de maneira reta e justa, e, quando falar, fale de acordo.
  1. Justiça – A ninguém prejudique por mau juízo, ou pela omissão de benefícios que são dever.
  1. Moderação – Evite extremos; não nutra ressentimentos por injúrias recebidas tanto quanto julga que o merecem.
  1. Asseio – Não tolere falta de asseio no corpo, no vestuário, ou na habitação.
  1. Tranqüilidade – Não se perturbe por coisas triviais, acidentes comuns ou inevitáveis.
  1. Castidade – Evite a prática sexual sem ser para a saúde ou procriação; nunca chegue ao abuso que o enfraqueça, nem prejudique a sua própria saúde, ou a paz de espírito ou reputação de outrem.
  1. Humildade – Imite Jesus e Sócrates.
 ou seja: equilíbrio sempre 
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terça-feira, fevereiro 01, 2011

Judas e traições



“Não julgueis os outros para não serdes julgados,
porque com o julgamento com que julgardes,
sereis julgados e com a medida que
medirdes, sereis medidos”
Jesus (Mt, 7:1)
Recentemente, a imprensa mundial se ocupou com um assunto que mobiliza a cristandade desde os seus alicerces. O tema é Judas e sua traição...
Para nós, espíritas, que acreditamos na remissão dos erros como princípio básico do progresso, da reforma íntima e do envolvimento com o amor do Pai, o episódio não tem aquele aspecto da condenação eterna, ninguém pode ser condenado eternamente por um erro. Isso seria a negação da perfeição divina, que nos criou, a todos, para que venhamos a alcançar a paz e não as fogueiras infernais.
O anátema a Judas pode ser passível de alguns comentários:
-   Seria possível enganar a Jesus e, com isso, existir um traidor entre seus apóstolos, que foram escolhidos criteriosamente para a divulgação da Boa Nova?
-   Seria necessário que alguém beijasse a face do Cristo  para o identificar aos seus algozes?
-   Por que foi Judas o apontado como traidor?
O chamado Evangelho de Judas, apócrifo agora revelado, foi escrito no século IV ou V, na língua copta, baseado no original grego que teria sido escrito pelo próprio Judas, em seu retiro no deserto e que foi condenado por Irineu de Lyon no século II, assim como também foi condenada a seita dos gnósticos, conhecida como cainitas, que divulgou o documento (existem versões de que o texto foi escrito pelo gnósticos, como se fora o próprio Judas).
Nesse texto apócrifo, Judas não se reconhece como traidor. Teria sido apenas um instrumento dos desígnios superiores para que o Filho de Deus sofresse o martírio e “salvasse os homens”. Conta que não se enforcou, foi perdoado por Jesus e orientado para se retirar e fazer exercícios espirituais no deserto.
Podemos ir para os comentários acima colocados.
Ao conhecermos, ou pelo menos vislumbrarmos, a hierarquia espiritual de Jesus, não pode haver dúvida quanto ao fato Dele ser enganado. Isso não seria possível, mesmo porque, em Mateus, na cena da Santa Ceia, Jesus avisa que um apóstolo o entregará; esse mesmo fato é relatado de outra forma em Marcos, embora ele relate a advertência de Jesus. Também diz que Judas foi escolhido pelo Mestre, para integrar-se ao grupo; considerando-se o que escrevem Marcos e Mateus, Lucas não atribui responsabilidade a Judas pelo desfecho do Calvário, embora também registre o alerta feito na Santa Ceia; mas em João, existe um contundente testemunho, quando ele relata a cena da Santa Ceia, onde Jesus teria, não só dito que um apóstolo o trairia, como informou que seria aquele a quem Ele desse um pão molhado, que é oferecido a Judas e incentiva o apóstolo: - O que tens a fazer, faze-o depressa.
Não, o Cristo sabia quem era Judas e certamente sabia o que iria acontecer.
Desde o nascimento de Jesus, quando foi realizado o censo na região, tanto os romanos, quanto os hebreus, sabiam quem era quem, mesmo porque a população não era tão grande assim. Além disso, o processo peripatético que caracterizou o magistério de Jesus, o tornou conhecido de todos, inclusive do Sinédrio, onde teve oportunidade de debater vários temas com os doutores do templo. Entre os romanos, era jocosamente chamado “Rex Iudeorum” – Rei dos Judeus...
Será que para ser reconhecido por seus captores, haveria necessidade de uma indicação tão óbvia, como um beijo na face?
Mas quem era Judas? Para ser escolhido como apóstolo, deveria ser uma pessoa com destaques pessoais adequados para a obra cristã.
As informações arqueológicas o mostram como um adversário dos romanos, ligado a correntes nacionalistas que pretendiam a liberdade do jugo de César.
No livro Crônicas de Além Túmulo, da excelente lavra de Humberto de Campos (Espírito), vamos encontrar uma entrevista que o autor fez com o Espírito Judas, onde são mostrados ângulos muito interessantes dos fatos ocorridos na época.
Judas queria a liberdade do povo hebreu. Não via, porém, em Jesus, o perfil do líder que iria impor, com audácia e força, uma nova ordem e quis, desse modo, planejar uma revolta que utilizasse o carisma do Mestre, como catalizador da ação do povo.
Ser apóstolo era uma demanda por ele solicitada, quando ainda estava no plano espiritual, antes de reencarnar.
No livro Pérolas do Além, Emmanuel cita que Judas deveria amar profundamente a Jesus, mas, tão só pela pressa em alcançar a vitória, engendrou a tragédia da cruz, levado pela invigilância.
Ainda no livro Crônicas de Além Túmulo, vemos que o apóstolo, por amor ao Nazareno, não deve ter imaginado sua crucificação e sofrimento. Contava com uma sublevação tão logo o povo soubesse da captura e os romanos nada poderiam fazer.
Mas Pôncio Pilatos entregou Jesus ao julgamento dos judeus, seu povo. Com isso, a revolta ficou abortada, não estava presente o dominador romano para atrair os ódios.
Dessa forma, deu-se a seqüência do julgamento e da sentença no Gólgota.
À luz da conceituação espírita, a razão, esse privilégio divino, nos faz pensar que nada do que aconteceu pode ser ligado ao determinismo, fatalismo ou qualquer outro item circunstancial. Os fatos, dada a sua importância para a história da humanidade, não poderiam deixar de ter sido objeto de um planejamento milenar e, nesse contexto, Judas foi coadjuvante, não protagonista.
A tragédia do Gólgota foi palco da demonstração de todas as qualidades e defeitos humanos, das paixões, dos interesses, do egoísmo, da calúnia... Todos com seus personagens e Judas, foi o personagem da traição. A maior demonstração foi a de Jesus, que do alto da cruz, pediu a Deus que perdoasse a todos, eram ignorantes, não sabiam o que estavam fazendo.
Diante disso, não se pode deixar de pensar que, diante do que está nas escrituras, a trama humana influenciou a história, atendendo a propósitos menores.
Nem os que condenaram o Mestre ao suplício da cruz, tiveram uma execração milenar, como teve Judas. Ele não foi perdoado pelos homens, embora o Cristo tivesse pedido a Deus que perdoasse a todos.
Um fato relevante foi lembrado pelo teólogo Fernando Altemeyer, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, “... A atitude do apóstolo traidor não foi muito pior do que a de Pedro, que O negou por três vezes, ou que a dos demais apóstolos, que O abandonaram. Judas foi um mal necessário, um inocente útil.”
As crônicas espirituais mostram um Judas ansioso por reverter o quadro de traidor que o impuseram.
Ao longo da história cristã, Judas voltou prestando serviços importantes para a causa do Cristo e hoje, já com seu histórico resgatado, fica bem longe dos pensamentos deletérios dos cristãos menores, que ainda não aprenderam a respeitar e entender a Paz e o Perdão que Jesus ensinou.
 
Assaruhy Franco de Moraes
fonte: 
Bezerrade Menezes/estudos/cronica/judas_e_traicoes
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domingo, janeiro 30, 2011

Receita Para Lavar Roupa Suja



de Viviane Mosé

“Mergulhar a palavra suja em água sanitária depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol adquirem consistência de certeza. Por exemplo a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas, que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda aguar e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tiram sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida que são alvejadas soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de argura, que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é mantê-la sempre de molho em um amaciante de boa qualidade.
Agora, se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham no contato umas com as outras.
Culpa, por exemplo, a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo, sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode, o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais aspalavras sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana quando não é excessiva, produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie pela expressão dos seus sentidos.
À noite, permita que se deite, não a seu lado mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne, prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais perceber a presença dela, então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível”.
  
Viviane Mosé 
www.vivianemose.com.br
Psicóloga e psicanalista, especialista em elaboração de políticas públicas pela Universidade Federal do Espírito Santo. Mestra e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escreve e apresenta o quadro Ser ou não ser, no Fantástico, onde traz temas de filosofia para uma linguagem cotidiana.
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Viver o Agora



Este é o teu momento de viver intensamente a realidade da vida.

Desnecessário recordar que, agora, o teu momento presente é relevante para a aquisição dos bens inestimáveis para o Espírito eterno.

Há muito desperdício de tempo, que se aplica nas considerações do passado como em torno das ansiedades do futuro.

A tomada de consciência é um trabalho de atualidade, de valorização das horas, de realização constante.

A vida é para ser vivida agora.

Postergar experiências, significa prejuízo em crescimento na economia da vida.

Antecipar ocorrências, representa precipitação de fatos que, talvez, não sucederão, conforme agora, tomam curso.

As emoções canalizadas em relação ao passado ou ao futuro dissipam ou gastam a energia vital, que deve ser utilizada na ação do momento.

Se vives recordando o passado ou ansiando pelo futuro, perdes a contribuição do presente, praticamente nada reservando para hoje.

O momento atual é a vida, que resulta das atividades pretéritas e elabora o programa do porvir.

Encoraja-te a viver hoje, sentindo cada instante e valorizando-o mediante a consciência das bênçãos que se encontram à tua disposição.

A vida é um sublime dom de Deus.

Desse modo, agradece a Deus, o sublime legado, que é a tua vida, por Ele concedido.

Vive, jubilosamente, hoje, sejam quais forem as circunstâncias em que se te apresente a existência.

Se o instante é de aflição, resigna-te, agindo corretamente, e estarás produzindo para o futuro que te chegará com paz.

Se o momento é de gozo, recorda-te dos padecentes à tua volta e reparte alegria, ampliando o círculo de ventura.

Quem despertou para a superior finalidade da vida, vive-a, a cada momento, vivendo-a principalmente agora.

(Joanna de Ângelis / Divaldo P. Franco)
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Eliminando vínculos de dependência

por Teresa Cristina Pascotto - crispascotto@hotmail.com


Durante nossa vida criamos muitas relações de dependência da aceitação e do amor do outro, só para que possamos nos sentir amados e incluídos. Por toda nossa experiência de dor -da infância e de outras vidas-, possuímos uma crença de que se não formos exatamente como o outro deseja, seremos rejeitados e abandonados. Com medo disto, passamos a fazer de tudo para agradar ao outro, porém, como isto é contrário ao desejo de nosso coração, entramos no ressentimento e na raiva, principalmente porque, mesmo fazendo o que é bom para o outro, ainda assim não nos sentimos amados de verdade.

Chega um momento em que o peso esmagador dessa dependência ultrapassa nossa capacidade de suportar e negar a dor que isso nos causa, e tudo vem à tona. Quando a dor "explode" nos traz a oportunidade de despertarmos para a realidade, para que possamos descobrir a dinâmica oculta que acontece na relação de dependência e de nos libertarmos desses vínculos.

Isto nos trará o desejo real de buscarmos mudanças, mas sentiremos medo, pois perceberemos que qualquer coisa que tentemos mudar no relacionamento, trará algum tipo de abalo para a relação. Isto significa que se começarmos a dizer não ao outro, seguindo nosso coração, a reação dele será de contrariedade, que poderá ser explicita ou velada.

Se estivermos firmes em nosso propósito de encerrar com o vínculo de dependência, precisaremos entrar nisto com consciência, pois poderemos nos conflituar, num primeiro momento, pois parte de nós sentirá medo de perder a pessoa e nos impulsionará a voltar para a velha interação com nosso eterno sim, mas a parte de nós que despertou e começou a perceber a realidade, começará a sentir mais explicitamente a dor e a raiva que a dependência nos causa, e nos impulsionará ainda mais ao não.

Estes vínculos são intensos e difíceis de serem "dissolvidos", porque na dinâmica oculta da interação, que ocorre na energia, existe uma trama energética que foi criada entre nós e a pessoa, e que foi sendo fortalecida a cada sim que dissemos, dando cada vez mais poder ao outro, de domínio sobre nós. Quanto mais intensa e "antiga" for a relação, e mais profundos e significativos forem os laços que nos unem, mais a trama fica "cristalizada" e se transforma em uma rígida estrutura energética, e muito mais difícil se torna romper com o vínculo de dependência. As relações equilibradas, não possuem vínculos, mas, sim, ligações saudáveis,  através de cordões energéticos que nos unem através dos chacras, em que a interação é de liberdade verdadeira.

Depois que essa estrutura energética do "agrade ao outro dizendo sempre sim" é criada, acreditamos que não existe outra forma de interagirmos com a pessoa em questão, a não ser dentro dessa única condição. Isto significa que essa estrutura nos atrai como um imã, ou seja, sempre que nos aproximamos da pessoa, somos puxados para dentro dessa estrutura rígida e, quando entramos, só conseguimos interagir dentro dos "caminhos" criados (por ambos) nessa estrutura. Ficamos desconectados de nosso coração, perdemos o poder sobre nós e entramos na energia mental do outro, que ganha poder e determina as ocorrências fazendo com que sejamos aquilo que ele quer. A energia psíquica do outro, nos envolve com tentáculos energéticos e passamos a agir e reagir como se estivéssemos hipnotizados. Nos sentimos mal, ficamos irritados, angustiados (dependendo da relação), mas não conseguimos sair, nos sentimos presos.

Gostamos da pessoa, mas parece que sempre que estamos com ela, não nos sentimos muito bem. Quando saímos de perto dela, livres da estrutura energética e de seus tentáculos dominadores, nos sentimos mais livres e leves. Mesmo que tenhamos a compreensão e consciência desta realidade, não é tão fácil sair do jogo. A forma mais fácil de sair dele seria "cortarmos" a relação com a tal pessoa, mas nem sempre é o que desejamos e o que é possível, como no caso de nossos pais, filhos, família. Ficamos num impasse.

Quando nos propomos a enfrentar o processo, nosso afastamento -seja físico ou emocional- é inevitável, pelo menos por um momento, e isto causará uma reação negativa no outro, que fará de tudo para nos puxar de volta -com influência psíquica e com a "retirada de sua energia de nós" e isto nos causará a dor da rejeição e do abandono- e este jogo energético nos abala. Se não estivermos conscientes desse tipo de jogo e firmes em nosso intento, poderemos, pelo pavor de ficar sem a pessoa, nos deixar envolver novamente. Isto será natural, pois é um aprendizado que deveremos conquistar, e até que o equilíbrio aconteça, poderemos passar por idas e vindas.

Se houver perseverança e vontade firme, chegará um momento em que conseguiremos suportar a dor do afastamento, a retirada de energia e a rejeição do outro, com profunda aceitação, e resistiremos às suas tentativas de nos puxar de volta. Este afastamento será de grande poder interno, pois conseguiremos firmar nosso propósito de não entrar mais na estrutura energética, o que trará uma definição na relação.

Cabe pontuar que o outro não é o único responsável pela trama, nós aceitamos entrar no seu jogo de domínio. Ninguém tem o poder de nos puxar para uma estrutura energética, sem o nosso consentimento. Isto só acontece, porque nosso Ego acredita que teremos vantagens dentro disso, portanto, somos igualmente responsáveis pelo jogo com o outro. Outro ponto, é que também dominamos o outro, fazendo as mesmas coisas, porém, dentro de outras questões. É a "lei da compensação".

Este processo será um bom recurso até que possamos dizer um firme não interno à velha dinâmica para podermos criar meios de nos relacionarmos de forma saudável, que acontecerá a partir da criação de uma nova interação energética. Este novo tipo de interação equilibrada "não existe" para nós, pois não temos nenhuma referência anterior, todas as relações de dependência que criamos, aconteceram dentro das mesmas estruturas, só mudando em intensidade e complexidade.

A relação dentro da trama equilibrada, precisa ser criada a partir do "nada", da ausência de referência. Poderemos usar o conhecimento das dinâmicas anteriores, apenas como base. Para isso, deveremos entrar em sintonia com nosso Eu Real, numa atitude de entrega, para podermos entrar em sintonia com vibrações mais elevadas, com Seres de Luz, desejando uma conexão com Deus, pois o novo só existe na Mente e no Coração de Deus, e é somente desta forma que poderemos encontrar todas as condições e características das novas relações a serem criadas.

Estas são relações de liberdade e respeito mútuo. Onde todos se aceitam, exatamente como são, sem tentarem modificar ou manipular o outro. Tudo o que precisamos: amor, afeto, aceitação, reconhecimento, aprovação, etc, está dentro de nós. Ninguém jamais poderá nos suprir nestas questões. Quando acreditamos que possuímos tudo o que precisamos, não esperamos nada do outro, nos colocamos inteiros na relação, oferecendo o melhor de nós. Resultado: relações com saudáveis trocas energéticas e equilibradas. 


Somos Todos Um - STUM 







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segunda-feira, janeiro 24, 2011

O Assunto Não É Você







"Vivemos em um mundo onde os jovens[...] crescem e se tornam adultos que, ao invés de refletir sobre os privilégios que tem, lutam pelos que não tem; que acham que uma petição online é mais que nada; que pensam que vão salvar o mundo pelo consumo responsável, comendo atum dolphin-free e palmito não-proveniente da Mata Atlântica.
 
Ou seja, se tornam adultos que acham, sinceramente, do fundo do coração, que tudo gira em torno deles. Que o assunto é sempre eles."


Poucos conselhos são mais perversos e canalhas do que o popular "trate os outros como gostaria de ser tratado".

Não é verdade. Sabe por quê? Porque o outro é um outro. Porque ele teve outra vida, outras experiências. Porque ele tem outros traumas, outras necessidades. Basicamente, porque ele não é você; porque você não é, nem nunca vai ser, nem deve ser, a medida das coisas.

Se você se usa como parâmetro para qualquer coisa, já está errado. O outro deve ser tratado não como VOCÊ gostaria de ser tratado, mas como ELE merece e precisa ser tratado.

E você pergunta:
"mas, Alex, como vou saber como o outro merece e precisa ser tratado?"


Bem, para isso, o primeiro passo é sair de si mesmo e deixar de se usar de parâmetro normativo do comportamento humano. Essa é a parte fácil. Depois, abra bem os olhos e os ouvidos. Reconheça que existe um outro e que ele é bem diferente de você.

Então, conheça-o.

* * *

A primeira coisa que aprendemos em vendas é a colocar sempre o foco no cliente. A chave para vender algo é resolver um problema ou necessidade do cliente - nem que para isso você precise criar a necessidade! Idealmente, suas frases devem girar sempre em torno do cliente: "o que posso fazer para colocá-LO em um carro novo hoje mesmo?", etc.

Os vendedores não fazem isso à toa. Funciona mesmo. Entretanto, nas últimas décadas, a técnica se espalhou. Basta ver a capa de qualquer revista: "20 maneiras de agradar SEU homem", "A recessão: como ela afeta o SEU emprego", "ENTENDA a crise em Ruanda", etc.

Esse último é especialmente traiçoeiro, por ser mais discreto. Entretanto, o efeito desse "entenda" é enorme, pois ele muda totalmente o eixo da discussão. Agora, o foco não é mais a crise em Ruanda, mas VOCÊ: o importante não é mais o sofrimento daquelas pessoas pretinhas, mas que VOCÊ entenda (superficialmente, claro) mais uma coisa para poder demonstrar aos amigos como está up-to-date com assuntos internacionais. Você, você, você. Não podemos nem mais falar sobre a crise em Ruanda sem arrastar, logo quem, VOCÊ para o meio da conversa.

A falácia, naturalmente, é que você não tem nada a ver com a crise em Ruanda.

* * *

Falando em termos da classe média ocidental, vivemos em um mundo onde os jovens pais param tudo para virar escravos dos filhos: até Mozart na barriga da mãe escutam. Depois, crescem sendo os reizinhos da casa, mandando em empregados, vendo o mundo girar a sua volta. Na TV, mil anúncios voltados pra eles. Nos mercados, mil produtos feitos especialmente para fazer crianças pentelharem os pais para comprá-los. Nas escolas, os alunos agora também avaliam os professores e exigem um bom serviço em troca das suas mensalidades. Se alfabetizam lendo as mesmas notícias acima, sobre como isso ou aquilo os afeta, sempre dando a entender que a crise em Ruanda só existe para que a entendam.

Aí, crescem e se tornam adultos que, ao invés de refletir sobre os privilégios que tem, lutam pelos que não tem; que acham que uma petição online é mais que nada; que pensam que vão salvar o mundo pelo consumo responsável, comendo atum dolphin-free e palmito não-proveniente da Mata Atlântica.

Ou seja, se tornam adultos que acham, sinceramente, do fundo do coração, que tudo gira em torno deles. Que o assunto é sempre eles.  Defeito de Cor, Um

* * *

A Ana Maria Gonçalves, autora de Um Defeito de Cor, escreveu um texto belíssimo sobre a polêmica em torno da obra de Monteiro Lobato. O que a Ana percebeu foi o seguinte: uma discussão que deveria ser sobre educação e educadores, dinâmica de sala de aula e cognição infantil, racismo e preconceito, acabava sempre caindo no eu, eu, eu. Enquanto, de um lado, professores estavam falando sobre os alunos e sua capacidade de aprendizado, e como poderiam se sentir alunos negros lendo livros sobre "pretas beiçudas", grande parte dos argumentos do outro lado eram coisas como:
"Monteiro Lobato foi um autores favoritos da MINHA infância", "EU li esses livros quando era criança e não SOU racista", etc.


Estavam pensando não nos efeitos do livro sobre as crianças que vão lê-lo no futuro (o que, afinal, é a questão em debate) mas sim defendendo a pureza de sua própria infância, como se dissessem

"se um livro que foi parte tão integrante e tão linda da minha vida é assim tão racista, que outras coisas pra mim tão naturais eu também vou ter que questionar?"


Em resposta a isso, Ana escreveu o texto brilhante cujo título já diz tudo: "Não É Sobre Você Que Deveríamos Falar".

Isso sempre acontece, não?

* * *

Fala-se de racismo, e lá vem: "mas tenho amigos negros", "já namorei uma negra", "chamo meu amigo de Sombra e Grafite e ele nunca se importou".

Só que sua opinião, seus amigos, suas namoradas, tudo isso é irrelevante, entende? O racismo é maior que você, já existia antes, vai continuar existindo depois. Essa discussão tem que se dar no nível da história e da sociologia, dos indicadores econômicos e das injustiças contemporâneas. Quando muito, talvez, da experiência pessoal dos negros que sofrem a discriminação, mas mesmo isso é altamente subjetiva, pois o preconceito também é introjetado pela própria comunidade. Mas, com certeza, não da sua experiência pessoal.

O assunto não é você.

* * *

Fala-se de aquecimento global, e lá vem: "mas esse ano teve uma tempestade de neve na minha cidade".

Só que as nevascas na sua cidade são incidentais e anedóticas, entende? Eu mesmo não tenho opinião sobre aquecimento global, mas ele vai ser provado ou desprovado através de gráficos climáticos globais sobre oscilações de temperatura ao longos dos séculos - e não pela quantidade de neve bloqueando seu carro no inverno passado.

O assunto não é você.

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Fala-se de feminismo, e lá vem: "essas feministas são muito histéricas, eu jamais me incomodaria da minha chefa passar a mão na minha bunda", "minha mãe foi dona-de-casa a vida inteira e muito feliz".

Mas você não é mulher, entende? As mulheres ganham menos, sofrem mais violência doméstica, são estupradas, morrem em abortos clandestinos - todos fenômenos com métricas facilmente encontráveis. A discussão tem que dar através desses números. As coisas que você faria ou sentiria se estivesse no lugar delas são irrelevantes, pois você não está e nem nunca estará no lugar delas.

O assunto não é você.

* * *

Fala-se de direitos dos homossexuais, e lá vem: "não tenho nada contra mas acho que essas paradas gays me incomodam e só estigmatizam o movimento", "minha religião diz que é pecado", "se dois gays se beijarem em público, como vou explicar isso ao meu filho?"

Mas sua religião, sua opinião, seu incômodo, seu filho, isso tudo é irrelevante, entende? Outros cidadãos tem outras religiões, outras opiniões, outros filhos - e tem os mesmos direitos que você. Se as manifestações gays te incomodam, resolva o problema na terapia ou no templo. Você não saber como explicar ao seu filho um fenômeno humano ancestral como a homossexualidade não é justificativa para proibir alguém de viver seu amor.

O assunto não é você.

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Os exemplos poderiam continuar ad eternum. Aborto, descriminalização das drogas, pobreza. Deixe sua contribuição nos comentários.

* * *

Uma amiga querida leu o rascunho desse texto e perguntou:
"é lindo isso, mas como você consegue ser assim?"


E eu tive que rir: mas quando foi que eu disse ou sugeri, em algum momento, por um segundo que fosse, que eu conseguia ser assim?!

Não estou me colocando acima desse comportamento. Bom narcisista que sou, escrevi o texto não pensando no outro, mas em mim mesmo e na minha própria vontade (tão vaidosa e tão narcisa) de ser a melhor pessoa possível. Pois eu também faço tudo isso. Escuto alguma coisa e já trago logo para mim, quero saber como afeta a minha vida, tenho sempre uma anedota pessoal para contribuir.

Não estou falando de cima, como o guru que conseguiu praticar um comportamento ilibado, pontificando aos infelizes lá embaixo que ainda não chegaram ao seu nível de iluminação: pelo contrário, estou falando a partir dos subterrâneos, do meio da multidão; estou falando justamente da briga diária que travo comigo mesmo, todo dia, o tempo todo.

Mas agora estou mais alerta. Tento não reincidir. Já consigo morder a língua antes de falar besteira. Convido vocês a tentarem fazer o mesmo. E, na próxima vez em que virem alguém se colocando em um assunto onde não deveria estar, deem o link desse texto.

Repitam comigo. O assunto não é você.

Ou melhor, o assunto não sou eu. O assunto não sou eu.
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compartilhado pelo reader - pela Professora Leticia de Goiania
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